A decisão sobre usar ou não um remédio para emagrecer deve ser tomada sempre por um médico, baseando-se na avaliação cuidadosa dos benefícios e dos riscos envolvidos. Como já está bem comprovado que o excesso de peso traz pode trazer sérios problemas de saúde, na maior parte dos casos esta relação risco/benefício será extremamente favorável, desde que realmente a pessoa esteja obesa.

Vale lembrar que muitas pessoas que procuram um médico para emagrecer estão dentro da faixa de peso considerada normal. Nestes casos, em que o problema se resume à estética, questiona-se a conveniência de usar remédios. Apesar de contarmos hoje com opções de medicamentos muito mais seguros que os antigos, não existem remédios sem riscos.

Como funcionam

Os remédios mais usados atualmente em tratamento para emagrecer podem agir de 3 diferentes maneiras: inibindo o apetite, estimulando a saciedade ou bloqueando a absorção intestinal de gorduras. Os que inibem o apetite, chamados anorexígenos, são substâncias já usadas por várias décadas, antigamente conhecidos como "anfetaminas".

O inconveniente deste grupo é o risco de dependência, apesar de ser relativamente rara quando utilizados adequadamente. Por razões de segurança seu uso foi proibido nos países da Comunidade Européia. A tendência atual é utiliz´-los apenas para os pacientes que não possam adquirir a sibutramina e o orlistat ou que não consigam emagrecer com eles. Temos 3 substâncias deste grupo disponíveis no Brasil atualmente - a dietilpropiona (também chamada de anfepramona), o femproporex e o mazindol.

O segundo grupo, dos sacietógenos, reúne os medicamentos que têm como principal mecanismo de ação o estímulo da sensação de saciedade. Isso pode parecer, à primeira vista, a mesma ação dos inibidores de apetite, mas, na prática, é bem diferente. Quem usa um inibidor de apetite freqüentemente pula refeições, simplesmente porque não sente nenhuma fome. Com os estimulantes da saciedade, a pessoa sente fome, mas, com uma menor quantidade de alimentos já fica satisfeita, parando de comer mais cedo. O principal representante deste grupo é a sibutramina, que pode apresentar uma segunda ação que ajuda no emagrecimento - o aumento do gasto energético. Outros possíveis sacietógenos são medicamentos utilizados como anti-depressivos, como a fluoxetina e a sertralina. Atualmente não têm sido considerados agentes anti-obesidade, apesar de reconhecer-se que podem ser úteis em algumas situações, como na obesidade associada à depressão ou à compulsão alimentar.

O terceiro grupo é o dos inibidores da absorção de gordura, representados apenas pelo Orlistat. Sua ação consiste na inibição da absorção intestinal de cerca de 30% da gordura ingerida. Isto pode representar uma ajuda significativa se a pessoa conseguir controlar sua alimentação. Se comer demais, entretanto, a tendência é que não perca peso, porque os 30% de gorduras que deixam de ser absorvidos podem não representar uma deficiência calórica suficiente para levar ao emagrecimento.

Um quarto grupo seria o dos termogênicos, substâncias que agem principalmente aumentando o gasto calórico do organismo. Por razões de segurança, entretanto, têm sido pouco utilizados.

Qualquer que seja o mecanismo de ação dos remédios para emagrecer, já está bem comprovado que os resultados do tratamento são muito melhores quando se dá a devida ênfase à prática de atividades físicas e à melhora do hábito alimentar.


Ansiolítico. Tranquilizante, utilizado em inúmeras "fórmulas" de emagrecimento com o objetivo de anular os efeitos colaterais do tipo excitatório causados por inibidores do apetite e hormônios da tiróide.

Antidepressivos. Possuem efeitos que variam deste o ganho de peso (quando utilizados por longos períodos) até a perda de peso (no caso da fluoxetina).

Cafeína. Substância termogênica usualmente utilizada em associação com a efedrina ou aspirina com o objetivo de potencializar seus efeitos estimulantes sobre o gasto de energia pelo organismo. As doses utilizadas costumam variar entre 50 e 600mg diários, divididos em 2 ou 3 tomadas.

Bromazepam. Ansiolítico utilizado em doses que variam entre 1,5 e 18 mg diários.

Carboximetilcelulose (CMC). Fitoterápico composto por fibras, que, em contato com a água, adquire uma consistência gelatinosa que pode auxiliar no controle do apetite e retardar a absorção dos alimentos. É utilizada em doses que variam entre 1.000 e 8.000 mg diários.

Carqueja. Produto da flora medicinal com leve ação diurética, utilizado em doses que variam entre 50 e 250mg diários.

Cascara Sagrada. Rhamnus Purshiana. Laxante da flora medicinal muito utilizado em fórmulas para emagrecimento. As doses variam entre 50 e 500 mg.

Cavalinha. Equisetum Arvense. Fitoterápico com ação diurética utilizado em doses que variam entre 100 e 1.000 mg diários.

Centella Asiatica. Fitoterápico muito utilizado tanto em cápsulas como cremes, tem como objetivo facilitar a queima da gordura e o tratamento da celulite. Discreta ação diurética. As doses por via oral costumam variar entre 300 e 1000 mg diários.

Clenbuterol. Medicamento utilizado no tratamento de alguns casos de asma. Atua através de estimulação dos receptores beta, levando a aumento de gasto energético, queima de gordura e aumento de massa muscular. Da mesma maneira, age sobre o sistema cardiovascular levando a precordialgia, palpitações, tremores e náuseas. Muito utilizado por atletas ("dopping") e por pessoas que querem emagrecer, responsáveis por quadros graves.

Clobazan. Ansiolítico, utilizado em doses que variam entre 10 e 50 mg diários.

Clordiazepóxido. Ansiolítico, normalmente utilizado em doses que variam entre 5 e 50 mg diários. Ver Ansiolítico.

DHEA. Deidroepiandrosterona. Um dos hormônios produzidos pela supra-renal com propriedade de ser precursora de outros hormônios sexuais. Tem sido utilizado no tratamento da obesidade pela sua capacidade de inibir a enzima glicose-6-fosfato desidrogenase, evitando que organismo sintetize gordura a partir de carboidrato. Promove também a estimulação da produção de serotonina. Não existem estudos clínicos que comprovem sua eficácia no tratamento da obesidade. As doses recomendadas variam de 50 mg a cada 2 dias até 100 mg diários em uma única tomada.

Clorella. Fitoterápico utilizado com o objetivo de combater a flacidez. A dose usual varia entre 100 e 1000 mg diários.

Dietilpropiona. Sinônimo de anfepramona ou benzoiltrietilamina. Anorexígeno catecolaminérgico. Uma das drogas mais utilizadas para o tratamento da obesidade no Brasil, tem eficácia clínica comprovada em inúmeros estudos. Seus efeitos colaterais mais comuns são boca seca, nervosismo, insônia e obstipação intestinal. As doses variam entre 50 e 150 mg diários, divididos em 2 tomadas. Os nomes comerciais atualmente disponíveis são Dualid S, Hipofagin S e Inibex S.

Fenfluramina. Medicamento de ação serotoninérgica, atuava facilitando o processo de saciação produzido pela ingesta de alimentos. Possuia ação comprovada no tratamento da obesidade e não apresentava os efeitos excitatórios dos anorexígenos. Foi largamente utilizado em todo o mundo até setembro de 1997, quando foi retirado do mercado devidos aos graves colaterais. Seu uso foi relacionado ao aparecimento de Hipertensão Pulmonar Primária, doença grave dos pulmões, e a doenças valvulares cardíacas, levando a graves efeitos sobre o sistema cardiovascular dos pacientes. Os dois compostos derivados, a DL-fenfluramina e a D-fenfluramina, foram também retirados do mercado, já que apresentavam os mesmos efeitos colaterais.

Fenilpropanolamina. Droga muito utilizada nos Estados Unidos como pílula para emagrecimento por ser estimulante do gasto energético e poder ser comprada sem receita médica. Tem eficácia comprovada no tratamento da obesidade. No Brasil, utilizada em descongestionantes nasais ou obtida separadamente através de manipulação. Foi retirada do mercado em 2000 (tanto no Brasil como nos EUA) devido ao risco de desenvolvimento de acidente vascular cerebral.

Fenolftaleína. Fitoterápico muito utilizado como laxativo, pode provocar cólicas e desidratação se usado em doses muito altas. As doses usualmente empregadas variam entre 50 e 250 mg diários.

Fenproporex. Conhecida no Brasil como Desobesi-M, é um dos medicamentos inibidores do apetite. Já existem estudos que evidenciaram sua eficácia no tratamento da obesidade. As doses utilizadas costumam variar entre 30 e 60 mg diários, geralmente fracionados em 2 tomadas.

Fluoxetina. Medicamento serotoninérgico, inicialmente utilizado como antidepressivo. Já existem estudos evidenciando sua eficácia em pacientes obesos (em doses de 60mg/dia), porém seu uso tem sido mais limitado a pacientes com depressão ou transtornos alimentares. É comercializada no Brasil com os nomes de Daforin, Deprax, Nortec, Verotina Eufor, Fluxene, Psiquial e Prozac. A dose por cápsula é de 20 mg, sendo utilizadas de 1 a 3 por dia. Ver Serotoninérgico, Daforin, , Eufor, Deprax, Nortec, Verotina, Fluxene, Psiquial e Prozac.

Furosemida. Diurético "forte" utilizado em doses que variam entre 40 e 80 mg diários, fracionados em 1 a 2 tomadas.

GABA. O Ácido Gama Aminobutírico (GABA) é um neurotransmissor cerebral, que, juntamente com a glutamina, participa de diversos processos cerebrais. Vem sendo utilizado para o tratmento de alguns casos de ansiedade e para melhorar o desempenho intelectual de alguns pacientes.

Garcínia. Ginkgo Biloba. Substância utilizada principalmente como antioxidante e no tratamento de alguns transtornos circulatórios. As doses costumam variar entre 80 e 240 mg diários.

Glucomannan. Fibra dietética extremamente hidrossolúvel, com capacidade de absorver até 200 vezes seu peso em água. Deste modo, forma-se uma massa gelificada compacta que proporciona ao paciente uma sensação de plenitude gástrica. Por esta propriedade, é utilizado como adjuvante em alguns tratamentos para emagrecer, em doses que variam geralmente de 1.000 a 2.000 mg diários, divididos em 2 tomadas.

Goma Guar. Tipo de fibra utilizada em alguns tratamentos para emagrecimento. Mais fraca que o Glucomannan (absorve até 100 vezes o próprio peso em água). As doses que variam entre 1.000 e 4.000 mg diários.

Hidroclorotiazida. Diurético "fraco" utilizado em doses que variam entre 25 e 50 mg diários. Sem efeitos no emagrecimento.

Passiflora. Fitoterápico utilizado como tranqüilizante, em doses que variam entre 80 e 300 mg diários.

Pepsina. Enzima digestiva utilizada em doses que variam entre 30 e 120 mg diários.

Sibutramina. Medicamento disponível a pouco tempo no Brasil, inúmeros estudos já demonstraram sua eficácia no tratamento da obesidade. Tem ação tanto na regulação do apetite (serotoninérgica) como na regulação do gasto energético (noradrenérgica). Já existem estudos em andamento sobre sua ação em pacientes com transtorno alimentar do tipo comer compulsivo. Produzida pelos laboratórios Medley (Plenty) e Knoll (Reductil). Disponível em caixas com 30 comprimidos de 10 e 15 mg.

Tiratricol. Derivado sintético dos hormônios tireoidianos, tenta manter alguns efeitos destes hormônios, principalmente a queima de gordura, com um pequeno índice de efeitos colaterais. Entretanto, possui uma ação discreta e seu uso pode levar a alterações no eixo hipotálamo-hipófise-tiroideano. As doses variam entre 700 e 1400 microgramas diários, fracionados em 2 tomadas.

Tiroidin. Extrato de tiróide. Atualmente não tem utilidade terapêutica, já que podemos dispor da forma purificada dos hormônios, que nos permite uma resposta mais previsível do tratamento. Utilizado em doses que variam entre 15 e 120 mg diários.

Tirosina. Aminoácido de grande importância na obesidade, já que é precursor de neurotransmissores como a dopamina, adrenalina e noradrenalina, alguns dos responsáveis pela regulação do apetite. As doses variam de 500 a 12.000mg.

Tiroxina. Também chamado de T4, é o principal hormônio sintetizado pela tiróide. Já na circulação é convertido em T3 (Triiodotironina), a forma ativa. O uso terapêutico da Tiroxina deve ser restrito a alguns casos de doença tiroideana.

Triiodotironina. Mais conhecido como T3, é o resultado na conversão periférica de T4 (Tiroxina). Muito utilizado em fórmulas para emagrecer, seu uso em excesso leva ao hipertireoidismo factício. Há uma perda importante de peso, porém devido a perda de massa muscular. Além disso, pode causar agitação, taquicardia, insônia, tremores e irritabilidade.Há relato de casos de óbito pelo uso de doses excessivas deste hormônio em fórmulas de emagrecimento. As doses empregadas não deveriam ultrapassar os 50 microgramas. Ver Tiroxina

Triptofano. Aminoácido precursor da serotonina, que é um dos neurotransmissores cerebrais responsáveis pelo controle da ingestão de alimentos. Usado em doses que costumam variar entre 1.000 e 3.000 mg diários.


 
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